Running – 15° Capítulo.


Epílogo

Demetria segurou com força uma moldura e um tablete que segura, o sinal ecoou pelo extenso corredor cheios de porta e ela caminhou com calma por ele. Ouve alguns chamados, gritos e xingamentos, mas ignora todos eles.
Acompanhada por dois guardas, Demetria passou por dois portões de segurança e parou em frente a uma grande porta.

- Precisará de algemas? – Um guarda pergunta ao se levantar.
- Não. – Demetria nega com um sorriso. – Sem algemas e nos deixe a sós.

Os guardas aceitam e mantenham-se atrás da porta. Ao abri-la, Demetria abre um falso sorriso em seu rosto e entra em um pequeno quarto, melhor dizendo, um cubículo 3x4 com uma única janela no canto, uma cama de solteiro, um vaso sanitário com pia ao lado e uma escrivaninha vazia.

- Disse que voltaria. – Demi se apoia na escrivaninha. 

Wilmer senta na cama e observa Demetria olhando para seu ambiente.

- Como se sente, Wilmer? – Pergunta em tom de ironia.
- O que devo sua visita? – Wilmer sorri. – Pensei que não pudesse recebe-las.
- E não pode. – Demi da alguns passos pelo pequeno cubículo. – Assim como não pode receber livros ou revistas, não pode sair para interagir com outros presidiários ou sair do seu quarto. Eu espero que sua convivência seja bem insuportável nessa solitária.

Wilmer continua quieto e Demi abre um sorriso

- Aquela conversa ainda não acabou. – Demi volta a dizer. – E eu tenho três coisas que podem tornar sua vida aqui menos insuportável. A primeira é você saber como está minha vida depois de onze meses, a segunda é algo em relação a Alexa e a terceira é um presente.
- Não tem detalhes?
- Terá quando escolher. – Demi responde.
- Você que escolhe o que for melhor. – Wilmer diz. – Que os jogos comecem.
- Não são jogos. – Demi suspira. – É mais uma oportunidade para você. A primeira opção é eu te contar como vai sua vida já que não tem mais advogado para te contar, a segunda é você ficar com essa foto de Alexa. – Demi mostra. – Bom, infelizmente Joseph está com ela e é minha foto favorita dos dois e a terceira é o mesmo que aconteceu naquele dia. – Finaliza Demetria tirando seu revolver na cintura. – Implore e eu posso acabar com sua vida hoje.
- Não faria isso, você tem uma carreira. – Wilmer faz pouco caso.
- Você não tem certeza disso. – Demi responde rindo. – Última chance. Você só está aqui há um ano, sua sentença é perpetua e sua frustação vai crescer a cada ano que passará entre essas quatro paredes. – Ela aponta a arma na cabeça de Wilmer. – E então.
- Atire. – Wilmer diz. – Se tiver coragem, atire.
- Depois daquela noite tudo ficou claro para mim. Você só queria ter o poder sobre minha mente novamente, sempre mentindo e se fazendo de inocente, sempre tão mesquinho com suas atitudes narcisistas impondo sua existência na frente da minha. – Demi se aproxima de Wilmer. – E pelos meus sentimentos, eu cai em cada armadilha que planejou. A tentativa de acrescentar algo em minha carreira em nome de arrependimentos. Usou Anne Green ao seu lado para buscar de humanizar, sequestrou minha filha para chamar minha atenção para perto.
- Então...?
- Quando acordei naquele hospital e soube que você estava preso com intenções de devolver Alexa para nós, pensei bem no que me levou até aquela cama de hospital. Você me levou até lá com sua terapia e eu acho que devo um obrigada a você, Wilmer. Um obrigado por você ter tirado do meu peito a verdade, eu disse a verdade e aquilo me libertou para sempre, contei a todos em minha vida o que aconteceu durante esses anos e apenas falei, nunca mais guardei uma palavra dentro de mim. E eu devo isso a você, de verdade, toda a verdade foi dita e eu hoje estou mais leve para dizer que o que restou dentro de mim, de fato, é nojo.
- Ainda vem me agradecer. Será que é verdade?
- De fato, é. – Demi olha para sua arma. – Por isso que eu quero que você passe seus dias aqui, dia após dia. E que o inferno dure muito porque por trás dessa janela, eu tenho uma vida maravilhosa que apesar de ter tentado. Eu prendi Yoki Scammander e Wilmer Valderrama, no mesmo dia. – Demi deixou escapar uma risada. – Imagine se eu não virei chefe de homicídios do FBI e trabalho meio período, no outro meio período passo em casa com minha família. Joseph, Alexa e agora Alexander. Meu filho. – Demi guarda seu revolver. – E você permanecerá aqui nesse guardo sem nunca ver a luz do dia fora dessa janela. E Wilmer, o mundo é tão lindo.

Demi olhou para as coisas de Wilmer.

- Talvez seja do seu interesse saber disso. Agora eu irei sair daqui e entrar em um avião com minha família para voltar nas férias que você interrompeu enquanto eu cumpro minha primeira promessa. Fazer você apodrecer aqui sem ninguém lembrar da sua existência.
- Escolhi a opção três. – Wilmer relembra.
- É a saída minha fácil, não? – Demi volta a rir. – Imagine, facilitar sua vida?

Ela respira fundo e bate na porta. Sorri para Wilmer pela última vez.

- Adeus, Wilmer.
- Você vai voltar. – Ele diz sentado na cama.
- Provavelmente sim. – Demi faz pouco caso. – Quando morrer, irei vir para Joseph fazer sua autopsia e cremar você em seguida. Até lá.... Isso é um adeus. – Demi dá meia volta. – E não pense que eu mandei tirar todas as possibilidades de você cometer suicídio, não será possível.

Demetria sai da penitenciaria e observa os guardas fecharem as três portas da solitária de Wilmer, não haveria jeito de fugir novamente e ela cumprirá sua promessa. Ele irá apodrecer ali, sem ninguém.
Ao sair da penitenciaria de segurança máxima, Joseph estava encostado no carro observando Demetria ir em sua direção. Ele abraçou sua esposa e beijou sua testa.

- Como foi? – Ele pergunta.
- Melhor do que esperava. – Ela sorri aliviada. – Onde estão as crianças?
- Com Miley. – Joseph responde. – Pensei que podemos passar essas férias sozinhos, continuando o que começamos.
- Sem interrupções. – Demi o beijou.
- É, sem nenhuma interrupção. – Joseph afirma abraçando-a.

Pouco longe dali, Wilmer observava o carinho que os dois trocavam. Joseph acenou de longe, sabia que a janela de Wilmer era para o estacionamento e não hesitou em sua ação.
O casal entrou no carro e deu partida para casa, onde se preparariam para suas férias. E Wilmer acabou ali, onde tudo começou e onde ele terminaria – sozinho.
FIM.
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