Criminal Case | 1° Parte


      Ele sentia seus braços doerem, relaxa as mãos. Ela voltava a respirar com dificuldade, seus olhos estavam vermelhos, são rosto ficava em um tom de roxo, sua boca esta úmida e ela tossia como se fosse começar a engasgar. Ele a encarava com tanto ódio e apego. Voltou a apertar seu pescoço. Ela voltava a se contorcer no chão, seu corpo pulsava no piso de madeira. Seus dois pulares apertavam sua garganta e seus outros dedos se concentravam na nuca. Ele relaxou as mãos e esperou por alguns minutos. Ela voltava a respirar cada vez mais fraca. Voltou a apertar. O processo era lento e dolorido. Na quinta vez, ele apertou mais forte. Ela voltou a debater seu corpo no chão com mais força. Seus braços estavam presos. Ela fixou seu olhar no dele. Parou. Ele relaxou a mão dele e encarou-a por alguns minutos. Arrumou seus cabelos e limpou seu rosto com lagrimas secas. Beijou sua testa. Ela já tinha ido, mas seu corpo ainda estava quente e seu rosto começou a ficar um roxo claro. Ele fechou seus olhos.

***

- Nome da vítima? – Demetria perguntou ao entrar na casa.
- Sophia Anderson. – Me responderam.

      Peguei um par de luvas, coloquei e entrei no quarto onde estava a cena do crime. Pedi espaço para analisar e esperei Joseph, o legista.

- Nossa. – Ele disse ao analisar o corpo por cima. – Vou levá-la para fazer a autopsia completa, mas já posso iniciar dizendo que isso foi um crime de cunho sexual e sádico.
- Estupro? – Perguntei.
- Olhando, parece que não. – Ele respondeu. – Pode liberar o corpo para levar ao laboratório?
- Sim. – Autorizei.

      Caminhei pelo quarto da vítima e estava organizado, nenhum sinal de briga. Suas roupas eram organizadas no closet, tinha poucos objetos e moveis na casa. Era moderna e pratica, sem nenhuma surpresa.

- O que sabemos até agora da vítima? – Perguntei.
- Ligamos para a família já. Seu nome é Sophia Anderson, ela era tradutora do chanceler da Alemanha aqui no pais. – Disseram. – Ela estava na cidade faz poucas semanas. Ela intercala de Washington para Berlim durante o ano. – Uma policial falou. – Triste.
- Realmente é triste. – Respondi.
- Senhora, você tem que ver isto! – Outro policial gritou.

      Corri em largos passos para a cozinha da vítima e estava uma faca no chão com liquido vermelho, parecia ser sangue. Era um desenho da vítima na forma em que ela foi encontrada. Me aproximei e passei a mão logo que tiraram foto, cheirei e tirei a luva.

- Não é sangue, é caneta. – Alertei. – A vítima não foi morta com arma branca ou de fogo.
- Também achamos isso na pia da banheira. – A mesma policial me entregou um papel. – Parece ser uma carta e a box ainda parece pouco úmido.

      Fui até o banheiro e analisei o box, pelas poucas gotas e falta de vapor no local, diria que a última vez que o chuveiro foi ligado era menos de 13h atrás, o tempo de morte da vítima coincide com a minha análise do banheiro. Primeiro passo é pensar que o executor do crime limpou a vítima tentando tirar vestígios de violência sexual ou algum fetiche com limpeza.
      Abri a carta, era escrita à mão e com letras de forma.


Doce Sophia Anderson,
Eu vejo você algumas vezes na televisão. Você é ótima tanto na tela quanto pessoal.
Fico atento para fazer quando vai chegar e quando tocarei em seu lindo rosto. Eu penso em você todos os dias, em como irei te tocar. Eu passo essa cena muitas vezes na minha cabeça. Você é tentadora e pecadora, vejo que é justo pecar com você. Tirar o mal que te acerca e tentar dar liberdade a sua alma.

      Fechei o papel novamente e digeri as palavras. Coloquei em uma pasta como provas e pedi para mandarem ao meu escritório. Dei uma última olhada na casa e sai, já avia alguns fotógrafos e jornalistas. Não era um crime de uma cidade, não era um crime da América, era um crime que envolvia a diplomacia de dois países. Uma mulher alemã morta em solo americano.

***
      Encachei a fechadura na porta e novamente ela travou, pedi algumas vezes na esperança de Wilmer abrir rápido. Ele demorou alguns minutos e após esmurrar a porta ele abriu sorrindo com Alexa no colo. Wilmer me deu um selinho longo e abriu espaço para entrar.

- Está tudo bem? – Ele perguntou ajudando a tirar minha jaqueta. – Arrumei a janta, estamos te esperando. – Wilmer me entregou Alexa no colo.
- Estou bem. – Respondi. – E com você? -  Beijei Alexa. – Mamãe está com fome e cansada. – Fiz uma voz infantil. – Quem está cansada? Mamãe está cansada. – Brinquei com seu nariz.

      Carreguei ela até sua cadeira e sentei ao seu lado e começamos a jantar. Estiquei minha mão para pegar na mão de Wilmer e sorri. Ele apertou minha mão e retribuiu, voltamos a comer. Olhei para o relógio e já era 21:00pm.

- Wilmer, não está na hora de você ir?
- Não, irei entrar mais tarde hoje. – Ele respondeu e voltou a comer.
- Amanhã não poderei levar a Alexa para o colégio, está tudo bem para você levar ela mais um dia. – Sorri fraco. – Eu realmente tentei dar um jeito, mas irei sair bem mais cedo. Estou atolada de coisas lá.
- Bom... – Wilmer me olhou assustado. – Pode levar, irei me atrasar um pouco, mas levarei ela. – Ele sorriu.
- Nossa. Muito obrigada, eu realmente irei compensar isso tudo. – Comecei a rir. – Pedi minhas férias premium ontem, vou poder tirar em agosto.
- Falta alguns meses ainda. – Wilmer falou. – Dois para ser exato.
- Sim, mas ficarei quatro meses em casa. Isso é bom, não é? – Perguntei sorrindo.
- Claro que é, podemos planejar viagens. – Wilmer acariciou Alexa. – Ela vai curtir mais a mãe e eu minha esposa. Não é só bom, é ótimo.

***

- Chegou atrasado, Wilmer. – Mariah veio em minha direção. – Duas horas.
- Desculpe, não tinha com quem deixar minha filha até minha esposa chegar. – Respondi.
- Vamos até minha sala conversar. – Ela apontou com a cabeça a direção.

***

      Peguei Alexa no colo e levei ela para banheira, liguei o pequeno chuveiro. Meu celular estava tocando pela quarta vez. Corri para a cama, peguei e voltei rapidamente para ela olha-la.

- Demetria. – Atendi.
- A senhora tem que ligar a televisão agora. – Connor, meu estagiário falou.
- No momento não posso, estou dando banho na minha filha. O que tenho que ver? – Perguntei.
- Aconteceu mais um assassinato. Nome da vítima é Jade Campbell. – Ele respondeu. – Estão te esperando na cena do crime, já coloquei o endereço no GPS do seu carro.
- Está bem. – Desliguei.

      Respirei fundo e olhei Alexa brincando na banheira, larguei meu celular em cima do vaso e apressei seu banho. Deixei trocada e assistindo desenho, fui me arrumar torcendo para que Wilmer chegue logo.
      Sai do banheiro e procurei pelo corredor da casa se Wilmer tinha chegado nesse pequeno tempo. Olhei no relógio e estava perdendo tempo. Me arrumei rapidamente e agasalhei Alexa. Levei ela até o carro e a arrumei no banco de atrás. A cadeirinha estava no carro de Wilmer. Encarei ela por um tempo para ter certeza que todos os cintos estavam arrumados. Olhei para a rua por tempo em esperança do Wilmer chegar.

- Certo. – Falei para mim mesma. – Era minha obrigação fazer isso hoje.

      Entrei no carro, liguei o GPS e segui para casa da vítima.
      Cheguei lá em menos de 40 minutos, já tinha fotógrafos, pessoas e policias cercando. Tirei Alexa do carro e entreguei para um policial.

- Não deu para levá-la a escola, pode fazer isso por mim? – Perguntei.
- Sim. – Ele respondeu. – Onde fica?
- O endereço está no meu carro. – Entreguei a chave. – Como é seu nome?
- Oliver, senhora. – Ele respondeu sorrindo.
- Oliver, irei lembrar disso. – Sorri e agradeci.

      Olhei para Alexa mais uma vez e entrei na casa. Já estavam fazendo os trabalhos.

- E então? – Perguntei ao ver Connor.
- A vítima se chama Jade Campbell, formada em Harvard em engenharia e economia. Ela era vice-presidente sênior de engenharia. Era a mais jovem no cargo, 32 anos.
- Minha idade. – Falei de maneira retorica. – O legista já foi?
- Sim, liberamos o corpo antes dos fotógrafos chegarem. – Connor respondeu. – Mas ela foi deixada no chão da cozinha. – Andamos até a cozinha. – Esse contorno foi feito com molho, ela estava nessa exata posição.
- Foi dito como ela foi morta? – Olhei para o chão da cozinha.
- O legista já descartou em ambas estupro. A primeira foi morta por estrangulamento, ele acha que é provavelmente que a segunda também.
- Então, estamos lidando com o mesmo assassino. – Falei. – Não acharam nenhuma carta?
- Não, senhora! – Connor. – Eu tenho um palpite sobre isso. – Ele falou nervoso. – Eu passei anoite olhando o chanceler da Alemanha em eventos dentro do país e a primeira vítima, Sophia, estava sempre presente. Ele está no cargo faz 12 anos, Sophia acompanha ele por 7. As relações entre Alemanha e EUA são fortes, então, ela sempre aparece de alguma forma na televisão. Já Jade não tem essa visibilidade, então, o assassino pode não conhecer ela bem.
- É um bom ponto, Connor. – Falei analisando o que ele disse. – Mas ambas são melhores solteiras e de grande visibilidade em suas áreas, além do tipo físico. – Peguei minha bolsa. – Eu irei até o laboratório para conversar com o legista, você tenta ligar para meu marido e avise que levei Alexa para a escola e depois me encontre no meu escritório. Eu quero os familiares das vítimas reunidas hoje e tente marcar um horário para o chanceler conversar comigo.

      Sai da casa de Jade e vesti meu casaco, já tinha alguns fotógrafos gritando por informações.
- Connor, os vizinhos também. – Falei.
      Fui até uma viatura e esperei alguns dos policiais me levarem para meu escritório. Tentei cobrir meu rosto com meu cachecol e de costas para câmeras. Connor veio correndo em minha direção desesperado.
- A senhora não vai acreditar. – Ele disse suando. – A senhora recebeu outro chamado. Descobriram outro corpo.

      Respirei fundo e olhei para o Connor que não conseguia falar.

- Mulher, 38 anos e encontrada pela irmã. Parece que foi morta já faz uma semana. – Connor.

- Estamos lidando com um assassino em série. – Falei pensativa. – Vamos até lá.

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