MELODRAMA
Criado em meados de 2014, MELODRAMA é um blog que visa postar contos, ficções e epifanias de uma autora um tanto dramática.
On:
O pensamento voa e as palavras vão a pé: eis o drama do escritor.
Grandes Enredos
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#Yes- 4° Capítulo.

3 comentários:


Esse capitulo é baseado em fatos reais em trotes universitários.
Os comentários anteriores respondidos aqui e até o próximo.
Métis.
***

Olhava pela janela do meu escritório as pessoas passando normalmente. Como se nada tivesse acontecido dias atrás, como se ninguém tivesse morrido. Apenas mais um dia normal para eles.

- Demi. – Isaac abriu a porta. – Eliza já está aqui.
- Ah, claro. – Sorri. – Peça para ela aguardar mais um minuto que vou chama-la.

Arrumei minha mesa e passei um perfume na sala como sempre fazia. Apesar de não estar com cabeça para atender meus pacientes nos últimos dias, tinha que fazer. Não poderia ficar sem fazer nada e deixar ser pega pela tristeza.
Abri a porta e acenei para Eliza – uma senhora de 67 anos e bem simpática que fazia tratamento comigo alguns anos por conta da perda de seu filho único.
...

- Vai almoçar conosco, Demi? – Tania, outra colega de trabalho, perguntou arrumando seu cabelo.
- Não. – Sorri. – Marquei um compromisso.

Eles olharam entre si e depois me olharam. O olhar de preocupação.

- Estou bem. – Dei um grande sorriso. – Juro que estou bem. Irei voltar em breve.
- Posso acompanha-la? – Isaac ofereceu-se.
- Não. – Continuei sorrindo. – Se não voltar do almoço podem correr atrás de mim. – Brinquei.

Todos riram apenas por educação, conseguia enxergar a preocupação em seus olhares. Ainda assim não iria dar para trás com meus planos.

Abri a porta do meu carro despedindo-me dos colegas e dei partida rumo a Universidade que Joe lecionava. Estava lotada devido ao horário de almoço, alguns alunos sentavam-se na grama para comer e outros andavam para lá e para cá, mas o verdadeiro motivo era o Memorial que construíram para os alunos que morreram no prédio principal. Onde eles morreram.
Caminhei até lá e encarei por algum momento as fotos dos alunos falecidos. Tinha alguns que choraram ao depositar flores e não era esses que poderia escolher para perguntar se conhecia, mas se choravam era porque conheciam.

- Olá. – Coloquei a mão no ombro de uma garota que chorava sozinha. – Precisa de ajuda?
- Não. –Ela respondeu seca, mas com um pequeno sorriso. – Estou bem. Vai passar.
- Eu sou psicóloga. Trabalho perto... – Apertei seu ombro como um sinal de carinho. – Podemos conversar, se estiver vontade para falar com alguém.

Ela me olhou por alguns segundos e limpou seu rosto.

- Hoje tenho aula, pode ser depois? – Perguntou.
- Sim, irei deixar meu cartão. – Sorri e entreguei um pequeno cartão a ela. – Será um prazer.
- Obrigada... – Ela olhou o cartão. – Demetria. – Sorriu.
- Eu que agradeço por ajudar. – Dei um rápido abraço. – Espero por você.

A garota retribuiu o abraço e afastou-se na multidão que estava começando a se acumular. Deixei uma pequena rosa quase murcha no chão – era uma das rosas que Joe tinha me presenteado no dia do atentado.
Demorei para sair da multidão que tentava chegar perto do pequeno memorial. Respirei fundo e sai andando pelo campus.

- Demetria? – Uma voz chamou-me.

Olhei para trás e estranhei. Um homem alto e moreno veio em minha direção, ele sorria.

- Wilmer Valderrama. – Ele estendeu a mão.
- Sim, Wilmer. – Cumprimentei-o desconfiada. – Como sabe meu nome?
- Dirk. – Ele falou observando minha reação, mas apenas arqueei as sobrancelhas surpresa.

Ficamos encarando um ao outro.

- Certo... – Ele bufou. – Ontem você invadiu uma unidade e falou com um prisioneiro.
- Não invadi. Fui chamada. – Corrigi.
- Deveria ter dito não quando soube quem era o rapaz e o que ele fez com você. – Wilmer.
- O que quer? – Coloquei a mão na cintura como apoio. – Advertências? Avisos?
- Sua ajuda, na verdade. – Wilmer sorriu sem jeito. – Acontece que Dirk viu uma coisa em você e nega-se fazer o tratamento se não falar com você mais uma vez.
- Sobre o que ele quer falar comigo?
- Eu vi a gravação. Ele iria lhe entregar um nome. O nome que seu marido usou para chegar nele. – Wilmer tirou um cigarro do palito. – Se você estiver disposta a ver Dirk novamente, eu sou o caminho, mas antes quero saber como pode me ajudar.
- Quando posso ver ele? – Perguntei.

Wilmer abriu um sorriso, mas dessa vez foi sincero. Ele tragou o cigarro algumas vezes pensativo.

- Amanhã de manhã, mas será rápido. – Wilmer jogou a butuca no chão e pisou. – Combinado?
- Sim. – Sorri. – Até amanhã... Wilmer.
...

- Dirk... – O chamei. – Acho que consegui o que queria, mas andei pensando no nosso acordo.
- Ela virá? – Ele levantou a cabeça.
- Sim, ela virá. – Respondi. – Mas nossa primeira conversa foi ruim. A de cabelo vermelho tornou as coisas muito serias naquele dia. Eu não sou assim. – Sorri. – Então, fui atrás da mulher que visitou mais cedo. O nome dela é Demetria Lovato-Jonas, seu marido Joseph Jonas, o homem que está em coma no momento devido aos dois tiros que deu nele.
- Não conheço esse nome. Disse isso a ela.
- Disse. Sei que disse. – Sentei ao seu lado. – Você pediu por ela e eu trarei ela amanhã aqui, mas eu quero saber as outras pessoas. Esqueça o professor. Os outros que você matou. Quem são eles?
- Ester, Helena, Becker, Klaus, Fischer e Bauer. – Dirk não tinha dificuldades em lembrar, estava na ponta da sua língua. – Nessa ordem que atirei.
- Você disse que eram trotes, mas quais trotes foram para levar você a tomar sua decisão?
- Não vai querer saber.
- Teste-me e eu digo se quero ou não.
- Conheci eles há um ano, quando entrei em Applied e tinha uma condição para participar de festas universitárias. Tínhamos que fazer parte do trote e antes faziam um sorteio com três níveis. Eu peguei o nível três do trote e definiam como pesado. – Dirk parou por um tempo. – Eu topei porque eu queria fazer amigos, mas isso trouxe outra coisa na minha vida. Inimigos.
- O que eles fizeram com você, Dirk?
- O primeiro era da turma de agronomia e passaram uma coisa nas minhas costas. Ardia muito e no dia seguinte estava sangrando e queimado, quando fui ao médico da universidade disseram que era uma mistura de larvicida e creolina. Quem fez isso comigo foram Ester e Fischer – Dirk tirou sua camisa e mostrou algumas marcas. – Eu ia denunciar, não era certo fazerem isso comigo, mas eu estava sozinho e não tive um caso o suficiente para investigar. Eles foram suspensos por dois dias, mas isso não é o suficiente.
- Dirk, quero que você pense na sua decisão. Você não tomou uma decisão ruim?
- Não e talvez você concordaria se ouvisse até o final. – Dirk disse bravo. – De qualquer maneira, minha denuncia me deixou marcado para eles e eu continuei seguindo em frente, mas de uma forma davam um jeito de vir até mim e o que Helena e Bauer fizeram comigo depois... não se faz com ninguém.
- O que eles te fizeram, Dirk? O que fizeram para ter tanto ódio?
- Helena veio até mim e pediu desculpas, pediu uma chance de provar que não era quem dizia ser, que tudo era um mal-entendido e eu aceitei suas desculpas. Em pouco tempo estávamos juntos.... Namorando, mas resolvemos manter em privado porque ela dizia que não queria que os amigos dela reclamassem ou fizessem algo. Eu cai no que ela disse e ela começou a dizer que tinha desejos, fetiches, queria brincar comigo. Achei que aceitar abriria minha mente... – Dirk riu enquanto caia lagrimas pelo seu rosto. – Eu mudaria por ela, eu arrisquei por ela e era mentira.

Dirk encostou sua cabeça na parede e chorava em silencio.

- Bauer e Helena armaram para mim juntos e fizeram uma sextape minha... Não aparece Helena, nem tem sinal que poderia ser ela, mas eles divulgaram em grupos eu... eu. – Dirk abaixou a cabeça. – Eles namoravam e eu nem percebi que tudo era mentira.
- O que fizeram com você? Com essa sextape?
- Helena dizia que era um fetiche dela... Trocar de sexo na hora do sexo. Eu seria a mulher e ela o homem... A sextape era eu sendo a mulher. Está na internet. – Dirk levantou a cabeça e olhou nos meus olhos. – Eles mereciam morrer.